Anhanguera Educacional
Taguatinga – DF, 13 de agosto de 2009
Curso de Pós-Graduação: Didática e Metodologia do Ensino Superior
Turma 04 – Técnicas de Comunicação Docente
Autor: Patrick Thiago dos Santos Bomfim – Unidade: Anhanguera - Faculdade JK
Concepção da Psicanálise: Alguns aspectos e reflexões
O presente capítulo tem a finalidade de apresentar a criação da Psicanálise, assim como seus principais conceitos teóricos e suas utilizações na prática em saúde e na sociedade contemporânea. Sigmund Freud é considerado o “pai” ou criador da psicanálise. Ele buscou por meios científicos a construção teórica deste campo de saber. A Psicanálise é estruturada como uma corrente independente, tanto da psiquiatria, quanto da psicologia, apesar de influenciar ambas as áreas e campos de atuação, além de outros, como no caso da educação, da antropologia e da sociologia, entre muitos pesquisadores e teóricos (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
A teoria psicanalítica, apesar de muito criticada ainda na atualidade, possui as suas sólidas contribuições (mesmo que questionáveis) marcadas pelos critérios e busca da universalidade científica, por meio de observações experimentais. Inicialmente, utilizou técnicas duvidosas, como no caso da hipnose, mas voltou-se para o paciente como um ser humano que se encontrava em sofrimento, ainda que seus sintomas não tivessem correspondências com o organismo, como no caso de pacientes observados como histéricos e neuróticos, apresentando ainda cegueiras e paralisias (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
Tais pacientes eram vistos pelos médicos como pessoas que teatralizam a dor, como aborda o filme ‘Freud, Além da Alma’, dirigido por John Huston, em 1962. Uma crítica para este tempo é o fato dos médicos observarem os pacientes apenas em suas características orgânicas reduzindo-o a uma parte, e uma parte muitas vezes adoecida. Esqueciam que lidavam com um ser humano, logo deveriam voltar-se para as questões de ordem afetivo-emocional (sentimentais) e das relações humanas. Mas o grande tabu da época, enfrentado também pela psicologia, em seu desenvolvimento histórico, era mensurar os afetos e emoções, além do próprio funcionamento cognitivo, de forma objetiva e cartesiana (científica) (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
Freud olhava para os pacientes de forma diferente, enfrentando preconceitos de toda uma categoria médica. Ele volta-se para o estudo do inconsciente, como objeto de descobrir o sintoma original que desencadeava todo o quadro de sintomas, chegando ao delineamento clínico geral do paciente. Aos poucos deixa a hipnose e passa para a associação livre de palavras por parte do paciente, quebrando inclusive com a idéia e prática marcada pela ausência de diálogo entre paciente e profissional da saúde. É um dos primeiros cientistas a salientar a importância de observar a configuração da dinâmica social e a sua influência sobre a saúde do paciente, por meio do estudo do ‘Complexo de Édipo’, que salienta as fases da interação simbiótica do recém nascido com o mundo, em seguida com a própria mãe, seguida de uma fase de diferenciação da mãe, até a aparição de um terceiro personagem, que irá ‘competir’ em relação à atenção, carinho e afeto desta mãe, ou da pessoa que exerça este papel, no caso a ‘figura do pai’. Em decorrência destas observações, desenvolve a Teoria da Sexualidade Infantil, um grande escândalo diante dos conservadores da moralidade da época. Contudo, avança com contribuições para melhor estruturar e sistematizar o estudo sobre a teoria da personalidade, a partir de uma teoria apresentada de forma mais sólida, possibilitando, inclusive, que seja tão questionada e criticada, promovendo diálogo, logo, avanço e conhecimento (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
Ao iniciar suas observações começa a desenvolver conceitos que segmentou toda a sua teoria, como recalque (ação de reprimir, no inconsciente, questões ‘não’ desejadas – ou mesmo muito desejadas, porém proibidas, mediante mecanismos de defesa desenvolvidos pela mente, em sociedade), transferência (projeção de algo que não se reconhece no outro, mas é da ordem da pessoa que faz a observação, ou seja, pertencente aquele que projeta) e projeção (reconhecimento e aplicação de algo comum a pessoa no outro, com tendência ao exagero quando sinalizada no outro, aquilo que se tem em si mesmo, mas que ainda não se percebe possuidor de tais características). E para isto, além de se fundamentar em critérios científicos como no caso do universalismo, ou seja, a maioria dos seres humanos está condicionada a esta realidade em suas respectivas vidas e cotidianos, estruturadas na teoria, em seu corpo de conhecimentos. Além de embasar sua teoria a partir dos estudos bibliográficos da mitologia e filosofia. Deste modo, aos poucos, constrói uma teoria sólida acerca do funcionamento do aparelho psíquico, formado na interação do consciente, pré-consciente e inconsciência (primeira tópica), melhor desenvolvido e explicado por meio da dinâmica entre o id (instinto e desejos humanos), ego (concepção e compreensão do de si mesmo, do próprio ‘eu’) e super-ego (registros e absorção das normas e regras sócio-morais compartilhadas) (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
Diante do sofrimento dos pacientes, Freud se incomodava com o descaso dos médicos, e ridicularização sofrida pelos pacientes vistos como ‘fingidos’, ou mesmo ‘loucos’. O filme mostra que ele foi ridicularizado pelo coordenador do curso de especialização em psiquiatria, aproveitando-se do seu papel de educador para promover mal-estar no futuro especialista, diante de todos os seus colegas – professores e alunos, ao apontar as suas percepções na prática profissional, enquanto palavra final e inquestionável. Momento que o professor e supervisor respeitado e renomado, a princípio, não foi capaz de ver nenhuma contribuição e/ou ganho nas observações construídas no trabalho do profissional em especialização, logo estudante. Mesmo assim, Freud não desistiu, apesar de se desmotivar, e infelizmente esta não é a história de todos os alunos diante de cenas como esta, ainda muito comum nos cursos de formação, incluindo a própria graduação. Diante da dificuldade, inclusive financeira, para se manter na formação e especialização, ele é convidado a compor um grupo de estudiosos, com poucas pessoas, que buscava a compreensão e cura de sintomas decorrentes da histeria.
Neste novo espaço, Freud encontra um ambiente que promovia o estudo e a investigação ética sobre o caso em questão, de fato um ambiente que privilegiava a sala de aula e os laboratórios como espaço de fomentação do conhecimento. Momento em que ele pode desenvolver livremente seus estudos e teoria, apresentando os principais conceitos teóricos observados na prática, em campo, apresentados no parágrafo anterior; Sem se deixar ser desestimulado por observações de cunho informal, postas (e ‘mascaradas’) como se fossem formais, tanto por parte do seu antigo professor, como as novas que foram surgindo ao longo da sua jornada. Porém, aquele primeiro professor, coordenador da ala da psiquiatria, salientava a própria dificuldade que ele mesmo tinha em se observar, assim como suas limitações da ordem de saúde. Pois segundo a teoria psicanalítica, o aparelho psíquico humano tende a buscar comportamentos de recalque daquilo que gera sofrimento.
No caso do professor, ele fazia parte do grupo de neuróticos, e já começava a apresentar os sinais e sintomas. Tinha medo que fosse recriminado pelos seus colegas de profissão e fosse tratado da mesma forma que tratava seus pacientes e alunos. Mas já no final da vida, ele convida Freud para conversar, e revela tudo. Pedi desculpas e solicita para que dê continuidade em suas pesquisas, por considerá-las importantes e significativas. Estimulo vindo a partir do reconhecimento do erro, diante de um peso de consciência e auto-avaliação, porém um estímulo. Exatamente o que Freud precisava naquele momento uma vez que enfrentava dificuldades pelo fato dele ser também ser humano, carregando em si emoções, sentimentos, história de vida pessoal e valores partilhados pela cultura da época, e por isto enfrentava dilemas e angustias pessoais para seguir profissionalmente, considerando todas as suas descobertas.
No final do filme, apresenta-se a configuração os resultados do processo acadêmico-científico de Freud, no sentido de vivenciar e enfrentar as barreiras que impediam um suposto sucesso escolar. Recebe apoio principalmente dos familiares. Apresenta a sua teoria para a classe médica, porém, mais embasada, em ambiente acadêmico-científico, e apesar de criticado passa a ser mais aceito e, conseqüentemente, influencia gerações de pesquisadores e estudiosos do campo, marcadas ainda na atualidade.
O filme e o texto de Bock, Furtado e Texeira (2002) faz lembrar da importância do outro ser humano no processo de prevenção e promoção da saúde. Muitos profissionais da saúde agem como o primeiro professor e supervisor de Sigmund Freud agiu, reproduzindo uma relação tradicional da prática em saúde, em uma pedagógica que desconsidera e desmotiva o paciente e seus familiares, ou ainda os humilha. Quando na realidade, também, poucos profissionais da saúde possuem a hombridade que aquele homem teve de reconhecer o seu erro, quando tomou consciência dele, e assumí-lo, quando criou coragem, mostrando inclusive mudanças de atitude e comportamento, no sentido de promover o incentivo de soluções, inclusive, de uma enfermidade que ele mesmo enfrentava. Esta ação marca de forma decisiva a condução do cientista e médico Freud, que na realidade tinha talento suficiente para desenvolver uma teoria que se sustenta até a atualidade, marcando o seu nome na história. O professor lamentou por não ter como voltar atrás e rever o seu erro, considerando os prejuízos que causou na vida e na formação de Freud.
Se não fosse pelo incentivo primário de amigos e familiares, este ‘herói’ humano, pesquisador e teórico, assim como tantos outros, e de tantas áreas, poderia não conseguir completar sua missão, e a psicanálise poderia ter outro(s) nome(s) consagrados como criador, ou então, durante muito mais tempo pacientes poderiam ser ridicularizados, uma vez que os mesmos ainda são, na contemporaneidade. Freud vai além da alma, e tenta compreender as demandas e sofrimentos humanas que ficavam destinados a outras áreas, consideradas como não científicas, como artes e religião. Ele, ainda, vai além da alma, no sentido de vencer as barreiras humanas, também, dadas por critérios morais-religiosos, desenvolvendo uma coletânea de obras, contribuindo para o avanço da ciência e na solução de problemas do cotidiano da humanidade, apontando avanços humanitários na relação paciente-equipe de saúde. E tudo porque um estudante resolveu ousar e ser ético diante dos dados que foram apresentados. Cumpriu, portanto, o seu papel de médico, ser humano e de cidadão, como parte do grupo de profissionais da área de saúde.
Recapitulação do texto:
Definição:
A psicanálise é um campo teórico e prático de saber pela prevenção e promoção da saúde a partir de sofrimentos e traumas gerados na infância e adolescência, a partir das fases dos ciclos de vida e desenvolvimento humano, que ocasionam em problemas geralmente evidenciados na vida adulta. É o estudo da interação do inconsciente humano, uma área desconsiderada pela ciência médica e de saúde tradicional-clássica.
Campos de atuação:
Apesar de se voltar para os fatores somáticos da patologia, em relação à interação entre disfuncionalidade orgânica e afetivo-emocional, a psicanálise é uma área e campo de atuação independente da medicina e psicologia, apesar de possibilitar o diálogo com as mesmas. Apresenta contribuições para outros campos e áreas de saber e conhecimento, como social, educacional, familiar, entre outros.
Argumentos relevantes:
Muitas pessoas não compreendem a origem dos seus problemas e não conseguem perceber que eles tiveram origem e marca em histórias vividas no passado remoto, esquecidas no inconsciente humano, com o objetivo de não mais sofrer com tais lembranças. Porém, se tornam presentes em cada ato, gesto e situação, ainda que não seja compreendida pelos seus atores. Daí a importância de resgatar tais memórias para a construção e manutenção de novos comportamentos, compreendidos pelos pacientes como escolhas mais saudáveis, a partir da consciência e enfrentamento dos traumas inconscientes.
Utilidade Prática:
Por exemplo, pacientes que foram violentadas sexualmente, não querem passar uma vida toda recordando as cenas tristes de agressão e violência vivenciadas. Fazem de tudo para esquecer este passado, evitando falar sobre o assunto, em função da razão lógica da dor que isto proporciona. Porém, não permitem que seja elaborado e re-significado tais cenas. Com o passar dos anos, em resposta a esta situação, a paciente pode apresentar dificuldades em se relacionar com outros seres humanos, por associar a figura das outras pessoas ao abusador(a), ainda que não faça isto de forma racional; Ocasionando grande sofrimento humano, pelo fato de não conseguir se relacionar com as pessoas, por medo de sofrer. Enquanto, quem está em volta desta pessoa, não compreende os comportamentos considerados como anti-sociais.
Observações Importantes:
A Psicanálise não deve ser associada a uma teoria libertina, mas é um dos primeiros exercícios abertos e declarados em se discutir sobre a sexualidade, uma vez que a maioria dos conflitos advindos das relações humanas, principalmente na contemporaneidade são decorrentes dos desejos sexuais reprimidos. Busca, desta forma, auxiliar os seres humanos a encontrarem suas identidades e fazer escolhas maduras e responsáveis, considerando as regras e normas sociais vigentes, configurando um conceito de saúde que está subordinado à cultura, e que deve ser revisto, a medida que não possibilita espaços sociais igualitárias pela promoção da saúde em conjunto ao conceito de democracia e cidadania.
A Psicanálise não é uma área que tem como objetivo deturpar os valores morais, religiosos e familiares, mas busca abrir canal de comunicação para que os pais e adultos, referendados como o ‘primeiro amor’ e porto seguros dos seus filhos e crianças que estão sob sua tutela, lidem com sentimentos e situações advindas da relação humana, pela promoção da família. Uma família pode enfrentar situações e contingências difíceis, como no caso da infelicidade de um dos seus membros sofrerem violência sexual, ou ainda partilharem de fenômenos como gravidez na adolescência, e se possuírem um diálogo aberto minimizaram situações de risco e vulnerabilidade biopsicossociocultural.
Referência Bibliográfica
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; e TEXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. A Psicanálise. In: BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; e TEXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: Uma introdução ao estudo de psicologia. 13.ª ed., 6.ª tiragem. São Paulo: Saraiva, 2002. P. 70 – 84;
HUSTON, John. Freud, Além da Alma. Estados Unidos: USA, 1962. 140 min.
FRONZA-MARTINS, A. S. Relações interpessoais: a importância do relacionamento professor-aluno. Material da 2ª. aula da Disciplina Práticas do Ensino e da Aprendizagem, ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Didática e Metodologia do Ensino Superior – Programa Permanente de Capacitação Docente. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional, 2009. 08 p.
NICÉSIO, Guilherme Alves de Lima. A Estrutura Textual II. Material da 4ª. aula da Disciplina Perfil Corporativo, Crenças e Valores, Programas Institucionais, ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Didática e Metodologia do Ensino Superior – Programa Permanente de Capacitação Docente. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional, 2009. 20 p.
TELLES, Luís Fernando Prado. Elementos da comunicação e suas formas de planejamento. Material da 1ª. aula da Disciplina Técnicas de Comunicação Docente, ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Didática e Metodologia do Ensino Superior – Programa Permanente de Capacitação Docente. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional, 2009. 14 p.
Taguatinga – DF, 13 de agosto de 2009
Curso de Pós-Graduação: Didática e Metodologia do Ensino Superior
Turma 04 – Técnicas de Comunicação Docente
Autor: Patrick Thiago dos Santos Bomfim – Unidade: Anhanguera - Faculdade JK
Concepção da Psicanálise: Alguns aspectos e reflexões
O presente capítulo tem a finalidade de apresentar a criação da Psicanálise, assim como seus principais conceitos teóricos e suas utilizações na prática em saúde e na sociedade contemporânea. Sigmund Freud é considerado o “pai” ou criador da psicanálise. Ele buscou por meios científicos a construção teórica deste campo de saber. A Psicanálise é estruturada como uma corrente independente, tanto da psiquiatria, quanto da psicologia, apesar de influenciar ambas as áreas e campos de atuação, além de outros, como no caso da educação, da antropologia e da sociologia, entre muitos pesquisadores e teóricos (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
A teoria psicanalítica, apesar de muito criticada ainda na atualidade, possui as suas sólidas contribuições (mesmo que questionáveis) marcadas pelos critérios e busca da universalidade científica, por meio de observações experimentais. Inicialmente, utilizou técnicas duvidosas, como no caso da hipnose, mas voltou-se para o paciente como um ser humano que se encontrava em sofrimento, ainda que seus sintomas não tivessem correspondências com o organismo, como no caso de pacientes observados como histéricos e neuróticos, apresentando ainda cegueiras e paralisias (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
Tais pacientes eram vistos pelos médicos como pessoas que teatralizam a dor, como aborda o filme ‘Freud, Além da Alma’, dirigido por John Huston, em 1962. Uma crítica para este tempo é o fato dos médicos observarem os pacientes apenas em suas características orgânicas reduzindo-o a uma parte, e uma parte muitas vezes adoecida. Esqueciam que lidavam com um ser humano, logo deveriam voltar-se para as questões de ordem afetivo-emocional (sentimentais) e das relações humanas. Mas o grande tabu da época, enfrentado também pela psicologia, em seu desenvolvimento histórico, era mensurar os afetos e emoções, além do próprio funcionamento cognitivo, de forma objetiva e cartesiana (científica) (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
Freud olhava para os pacientes de forma diferente, enfrentando preconceitos de toda uma categoria médica. Ele volta-se para o estudo do inconsciente, como objeto de descobrir o sintoma original que desencadeava todo o quadro de sintomas, chegando ao delineamento clínico geral do paciente. Aos poucos deixa a hipnose e passa para a associação livre de palavras por parte do paciente, quebrando inclusive com a idéia e prática marcada pela ausência de diálogo entre paciente e profissional da saúde. É um dos primeiros cientistas a salientar a importância de observar a configuração da dinâmica social e a sua influência sobre a saúde do paciente, por meio do estudo do ‘Complexo de Édipo’, que salienta as fases da interação simbiótica do recém nascido com o mundo, em seguida com a própria mãe, seguida de uma fase de diferenciação da mãe, até a aparição de um terceiro personagem, que irá ‘competir’ em relação à atenção, carinho e afeto desta mãe, ou da pessoa que exerça este papel, no caso a ‘figura do pai’. Em decorrência destas observações, desenvolve a Teoria da Sexualidade Infantil, um grande escândalo diante dos conservadores da moralidade da época. Contudo, avança com contribuições para melhor estruturar e sistematizar o estudo sobre a teoria da personalidade, a partir de uma teoria apresentada de forma mais sólida, possibilitando, inclusive, que seja tão questionada e criticada, promovendo diálogo, logo, avanço e conhecimento (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
Ao iniciar suas observações começa a desenvolver conceitos que segmentou toda a sua teoria, como recalque (ação de reprimir, no inconsciente, questões ‘não’ desejadas – ou mesmo muito desejadas, porém proibidas, mediante mecanismos de defesa desenvolvidos pela mente, em sociedade), transferência (projeção de algo que não se reconhece no outro, mas é da ordem da pessoa que faz a observação, ou seja, pertencente aquele que projeta) e projeção (reconhecimento e aplicação de algo comum a pessoa no outro, com tendência ao exagero quando sinalizada no outro, aquilo que se tem em si mesmo, mas que ainda não se percebe possuidor de tais características). E para isto, além de se fundamentar em critérios científicos como no caso do universalismo, ou seja, a maioria dos seres humanos está condicionada a esta realidade em suas respectivas vidas e cotidianos, estruturadas na teoria, em seu corpo de conhecimentos. Além de embasar sua teoria a partir dos estudos bibliográficos da mitologia e filosofia. Deste modo, aos poucos, constrói uma teoria sólida acerca do funcionamento do aparelho psíquico, formado na interação do consciente, pré-consciente e inconsciência (primeira tópica), melhor desenvolvido e explicado por meio da dinâmica entre o id (instinto e desejos humanos), ego (concepção e compreensão do de si mesmo, do próprio ‘eu’) e super-ego (registros e absorção das normas e regras sócio-morais compartilhadas) (BOCK, FURTADO e TEXEIRA, 2002).
Diante do sofrimento dos pacientes, Freud se incomodava com o descaso dos médicos, e ridicularização sofrida pelos pacientes vistos como ‘fingidos’, ou mesmo ‘loucos’. O filme mostra que ele foi ridicularizado pelo coordenador do curso de especialização em psiquiatria, aproveitando-se do seu papel de educador para promover mal-estar no futuro especialista, diante de todos os seus colegas – professores e alunos, ao apontar as suas percepções na prática profissional, enquanto palavra final e inquestionável. Momento que o professor e supervisor respeitado e renomado, a princípio, não foi capaz de ver nenhuma contribuição e/ou ganho nas observações construídas no trabalho do profissional em especialização, logo estudante. Mesmo assim, Freud não desistiu, apesar de se desmotivar, e infelizmente esta não é a história de todos os alunos diante de cenas como esta, ainda muito comum nos cursos de formação, incluindo a própria graduação. Diante da dificuldade, inclusive financeira, para se manter na formação e especialização, ele é convidado a compor um grupo de estudiosos, com poucas pessoas, que buscava a compreensão e cura de sintomas decorrentes da histeria.
Neste novo espaço, Freud encontra um ambiente que promovia o estudo e a investigação ética sobre o caso em questão, de fato um ambiente que privilegiava a sala de aula e os laboratórios como espaço de fomentação do conhecimento. Momento em que ele pode desenvolver livremente seus estudos e teoria, apresentando os principais conceitos teóricos observados na prática, em campo, apresentados no parágrafo anterior; Sem se deixar ser desestimulado por observações de cunho informal, postas (e ‘mascaradas’) como se fossem formais, tanto por parte do seu antigo professor, como as novas que foram surgindo ao longo da sua jornada. Porém, aquele primeiro professor, coordenador da ala da psiquiatria, salientava a própria dificuldade que ele mesmo tinha em se observar, assim como suas limitações da ordem de saúde. Pois segundo a teoria psicanalítica, o aparelho psíquico humano tende a buscar comportamentos de recalque daquilo que gera sofrimento.
No caso do professor, ele fazia parte do grupo de neuróticos, e já começava a apresentar os sinais e sintomas. Tinha medo que fosse recriminado pelos seus colegas de profissão e fosse tratado da mesma forma que tratava seus pacientes e alunos. Mas já no final da vida, ele convida Freud para conversar, e revela tudo. Pedi desculpas e solicita para que dê continuidade em suas pesquisas, por considerá-las importantes e significativas. Estimulo vindo a partir do reconhecimento do erro, diante de um peso de consciência e auto-avaliação, porém um estímulo. Exatamente o que Freud precisava naquele momento uma vez que enfrentava dificuldades pelo fato dele ser também ser humano, carregando em si emoções, sentimentos, história de vida pessoal e valores partilhados pela cultura da época, e por isto enfrentava dilemas e angustias pessoais para seguir profissionalmente, considerando todas as suas descobertas.
No final do filme, apresenta-se a configuração os resultados do processo acadêmico-científico de Freud, no sentido de vivenciar e enfrentar as barreiras que impediam um suposto sucesso escolar. Recebe apoio principalmente dos familiares. Apresenta a sua teoria para a classe médica, porém, mais embasada, em ambiente acadêmico-científico, e apesar de criticado passa a ser mais aceito e, conseqüentemente, influencia gerações de pesquisadores e estudiosos do campo, marcadas ainda na atualidade.
O filme e o texto de Bock, Furtado e Texeira (2002) faz lembrar da importância do outro ser humano no processo de prevenção e promoção da saúde. Muitos profissionais da saúde agem como o primeiro professor e supervisor de Sigmund Freud agiu, reproduzindo uma relação tradicional da prática em saúde, em uma pedagógica que desconsidera e desmotiva o paciente e seus familiares, ou ainda os humilha. Quando na realidade, também, poucos profissionais da saúde possuem a hombridade que aquele homem teve de reconhecer o seu erro, quando tomou consciência dele, e assumí-lo, quando criou coragem, mostrando inclusive mudanças de atitude e comportamento, no sentido de promover o incentivo de soluções, inclusive, de uma enfermidade que ele mesmo enfrentava. Esta ação marca de forma decisiva a condução do cientista e médico Freud, que na realidade tinha talento suficiente para desenvolver uma teoria que se sustenta até a atualidade, marcando o seu nome na história. O professor lamentou por não ter como voltar atrás e rever o seu erro, considerando os prejuízos que causou na vida e na formação de Freud.
Se não fosse pelo incentivo primário de amigos e familiares, este ‘herói’ humano, pesquisador e teórico, assim como tantos outros, e de tantas áreas, poderia não conseguir completar sua missão, e a psicanálise poderia ter outro(s) nome(s) consagrados como criador, ou então, durante muito mais tempo pacientes poderiam ser ridicularizados, uma vez que os mesmos ainda são, na contemporaneidade. Freud vai além da alma, e tenta compreender as demandas e sofrimentos humanas que ficavam destinados a outras áreas, consideradas como não científicas, como artes e religião. Ele, ainda, vai além da alma, no sentido de vencer as barreiras humanas, também, dadas por critérios morais-religiosos, desenvolvendo uma coletânea de obras, contribuindo para o avanço da ciência e na solução de problemas do cotidiano da humanidade, apontando avanços humanitários na relação paciente-equipe de saúde. E tudo porque um estudante resolveu ousar e ser ético diante dos dados que foram apresentados. Cumpriu, portanto, o seu papel de médico, ser humano e de cidadão, como parte do grupo de profissionais da área de saúde.
Recapitulação do texto:
Definição:
A psicanálise é um campo teórico e prático de saber pela prevenção e promoção da saúde a partir de sofrimentos e traumas gerados na infância e adolescência, a partir das fases dos ciclos de vida e desenvolvimento humano, que ocasionam em problemas geralmente evidenciados na vida adulta. É o estudo da interação do inconsciente humano, uma área desconsiderada pela ciência médica e de saúde tradicional-clássica.
Campos de atuação:
Apesar de se voltar para os fatores somáticos da patologia, em relação à interação entre disfuncionalidade orgânica e afetivo-emocional, a psicanálise é uma área e campo de atuação independente da medicina e psicologia, apesar de possibilitar o diálogo com as mesmas. Apresenta contribuições para outros campos e áreas de saber e conhecimento, como social, educacional, familiar, entre outros.
Argumentos relevantes:
Muitas pessoas não compreendem a origem dos seus problemas e não conseguem perceber que eles tiveram origem e marca em histórias vividas no passado remoto, esquecidas no inconsciente humano, com o objetivo de não mais sofrer com tais lembranças. Porém, se tornam presentes em cada ato, gesto e situação, ainda que não seja compreendida pelos seus atores. Daí a importância de resgatar tais memórias para a construção e manutenção de novos comportamentos, compreendidos pelos pacientes como escolhas mais saudáveis, a partir da consciência e enfrentamento dos traumas inconscientes.
Utilidade Prática:
Por exemplo, pacientes que foram violentadas sexualmente, não querem passar uma vida toda recordando as cenas tristes de agressão e violência vivenciadas. Fazem de tudo para esquecer este passado, evitando falar sobre o assunto, em função da razão lógica da dor que isto proporciona. Porém, não permitem que seja elaborado e re-significado tais cenas. Com o passar dos anos, em resposta a esta situação, a paciente pode apresentar dificuldades em se relacionar com outros seres humanos, por associar a figura das outras pessoas ao abusador(a), ainda que não faça isto de forma racional; Ocasionando grande sofrimento humano, pelo fato de não conseguir se relacionar com as pessoas, por medo de sofrer. Enquanto, quem está em volta desta pessoa, não compreende os comportamentos considerados como anti-sociais.
Observações Importantes:
A Psicanálise não deve ser associada a uma teoria libertina, mas é um dos primeiros exercícios abertos e declarados em se discutir sobre a sexualidade, uma vez que a maioria dos conflitos advindos das relações humanas, principalmente na contemporaneidade são decorrentes dos desejos sexuais reprimidos. Busca, desta forma, auxiliar os seres humanos a encontrarem suas identidades e fazer escolhas maduras e responsáveis, considerando as regras e normas sociais vigentes, configurando um conceito de saúde que está subordinado à cultura, e que deve ser revisto, a medida que não possibilita espaços sociais igualitárias pela promoção da saúde em conjunto ao conceito de democracia e cidadania.
A Psicanálise não é uma área que tem como objetivo deturpar os valores morais, religiosos e familiares, mas busca abrir canal de comunicação para que os pais e adultos, referendados como o ‘primeiro amor’ e porto seguros dos seus filhos e crianças que estão sob sua tutela, lidem com sentimentos e situações advindas da relação humana, pela promoção da família. Uma família pode enfrentar situações e contingências difíceis, como no caso da infelicidade de um dos seus membros sofrerem violência sexual, ou ainda partilharem de fenômenos como gravidez na adolescência, e se possuírem um diálogo aberto minimizaram situações de risco e vulnerabilidade biopsicossociocultural.
Referência Bibliográfica
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; e TEXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. A Psicanálise. In: BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; e TEXEIRA, Maria de Lourdes Trassi. Psicologias: Uma introdução ao estudo de psicologia. 13.ª ed., 6.ª tiragem. São Paulo: Saraiva, 2002. P. 70 – 84;
HUSTON, John. Freud, Além da Alma. Estados Unidos: USA, 1962. 140 min.
FRONZA-MARTINS, A. S. Relações interpessoais: a importância do relacionamento professor-aluno. Material da 2ª. aula da Disciplina Práticas do Ensino e da Aprendizagem, ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Didática e Metodologia do Ensino Superior – Programa Permanente de Capacitação Docente. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional, 2009. 08 p.
NICÉSIO, Guilherme Alves de Lima. A Estrutura Textual II. Material da 4ª. aula da Disciplina Perfil Corporativo, Crenças e Valores, Programas Institucionais, ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Didática e Metodologia do Ensino Superior – Programa Permanente de Capacitação Docente. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional, 2009. 20 p.
TELLES, Luís Fernando Prado. Elementos da comunicação e suas formas de planejamento. Material da 1ª. aula da Disciplina Técnicas de Comunicação Docente, ministrada no Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Didática e Metodologia do Ensino Superior – Programa Permanente de Capacitação Docente. Valinhos, SP: Anhanguera Educacional, 2009. 14 p.

